Lugar de mulher

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Artigo escrito por Lilian Schiavo*

Tem algumas frases que são uma espécie de mantra na minha vida e uma delas é “lugar de mulher é onde ela quiser”

Parece óbvio… afinal, temos livre arbítrio.

Só que a realidade não é bem assim, algumas mulheres ainda estão sentadas no banco de passageiro lutando para ocupar a posição de motoristas da própria vida.

Quantas de nós já teve a fala interrompida ou foi calada, às vezes com violência, outras com educação?

Em reuniões onde há predominância masculina observei mulheres que parecem metralhadoras de palavras e no início não entendia a razão, até o dia em que eu, na minha docilidade natural, fui interrompida com a promessa que voltaria a falar na próxima rodada.

Era um fórum econômico, todos participantes eram homens, inclusive o moderador que também era o organizador do evento, todos desobedeceram ao tempo estipulado para falar, exceto eu.

Esperei minha vez até que o evento terminou e fiquei sem concluir o que queria, só não fiquei triste pois apesar do pouco tempo de fala obtive um excelente resultado: muito networking e convites para ser conferencista em outros eventos. Pelo visto, as pessoas queriam ouvir o que eu tinha a dizer.

É, ainda lutamos para ocupar espaços.

Acostumada a falar com mulheres, expressões como telhado de vidro e síndrome da impostora são compreendidas e vividas pela maioria de nós.

Você já cometeu o erro de dizer para um homem que às vezes você tem a síndrome da impostora?

Já fiz isso e o resultado foi catastrófico, recebi uma ligação de um presidente de um banco Internacional e de início achei que era um trote, mas no decorrer da conversa, já quase finalizando o assunto, comentei que estava tendo a síndrome da impostora. Afinal, estava vivendo uma daquelas situações inimagináveis, quanta honra dialogar com alguém tão importante!

O resultado? Foi a única e última vez que conversei com ele, provavelmente ele desistiu do projeto de linhas de crédito para empreendedoras ou ficou assustado ao conversar com uma “mulher portadora de uma síndrome desconhecida ” ou quem sabe, uma impostora criminosa.

É, as mulheres têm muitas histórias para contar…

Para chegar onde quer que seja, precisamos agir como na parábola da corrida de sapos para atingir o topo de uma alta torre. Uma multidão de torcedores gritava que era muito difícil e os concorrentes iam desanimando e desistindo, menos um, que independente da torcida continuava subindo. Todos olhando para aquele competidor improvável e aparentemente fraco que no final se tornou o campeão.

Ao conquistar a vitória todos queriam saber como ele havia conseguido… A resposta é simples: o sapinho era surdo! Não ouviu que era impossível, simplesmente foi subindo, passo a passo.

Às vezes precisamos fechar nossos ouvidos para o julgamento alheio e as críticas destrutivas.

As mulheres possuem uma força gigantesca, só precisam encontrar o botão de ignição para partir rumo ao sucesso.

As mulheres possuem uma força gigantesca, só precisam encontrar o botão de ignição para partir rumo ao sucesso.

E o que é sucesso?  O dicionário define sucesso como acontecimento favorável, resultado feliz.

Nossa, agora complicou! Sucesso e felicidade são subjetivos, cada pessoa tem uma visão diferente…

Na verdade, ficou mais claro!

As respostas são individuais, cada uma decide qual parâmetro vai ser usado. A questão é sobre ser e não sobre ter, não é quantitativo, é qualitativo.

O nosso lugar é onde quisermos, onde sentimos realização e paz.

Já reparou que o que pode parecer um grande sacrifício para você é um prazer para outra? Para uma esportista, acordar todos os dias para treinar às 6:00hs da manhã é gratificante, enquanto para você pode ser um castigo.

Às vezes me pedem conselhos, imaginam que tenho um plano infalível, um caminho a ser seguido… começo a fazer perguntas, muitas perguntas. E conforme as pessoas conversam comigo, as respostas vão surgindo, elas já estavam na sua mente, na sua alma e no seu coração.

Por isso cada uma tem o seu lugar desejado, talvez ser feliz para você signifique ser uma ativista, uma empresária, uma dona de casa, uma artista, uma juíza ou talvez você almeje a maternidade.

Não importa, você tem o direito de escolher onde quer chegar, onde ficar, quando mudar e se reinventar, quando parar e quando seguir.

A vida é sua! Faça dela o que você quiser, mas seja autêntica e feliz!

*Lilian Schiavo – Arquiteta formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, bacharel em administração hospitalar pelo IPH – Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Hospitalares e pós graduada em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Grande experiência em administração na área da saúde, diretora do Sindicato dos Hospitais, juíza classista na Justiça do Trabalho e voluntária em ONGs. Atual presidente da OBME- Organização Brasileira de Mulheres Empresária.

Por Portal do Andreoli

 

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