Indústrias do Mercosul e UE pedem urgência para acordo comercial

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Em declaração conjunta, os setores industriais dos dois blocos afirmam que tratado é crucial por razões estratégicas, econômicas e sustentáveis. Acordo é essencial para a recuperação no pós-Covid

As confederações das indústrias dos países do Mercosul e da Europa se uniram e reiteraram seu apoio ao acordo comercial do bloco com a União Europeia. Em declaração conjunta, as entidades afirmaram que a entrada em vigor do tratado oferecerá oportunidades para os dois lados não só por razões estratégicas e econômicas, mas também do ponto de vista do desenvolvimento sustentável.

Para as quatro entidades industriais do Mercosul e a BusinessEurope, as oportunidades de negócios criadas pelo acordo também serão importantes e urgentes para a recuperação dos choques criados pela pandemia de Covid-19.

A declaração foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela União Industrial Argentina (UIA), pela União Industrial Paraguaia (UIP), pela Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU) e pela BusinessEurope na quinta-feira (26).

No documento, as instituições que representam as indústrias dos dois blocos ressaltaram que este é o mais amplo acordo comercial já concluído por eles. De um lado, a União Europeia encontrará oportunidades em um bloco econômico que se abre pela primeira vez. De outro, os países do Mercosul terão acesso a um grande mercado altamente integrado à economia mundial.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, destaca que, atualmente, uma parcela de 65% do comércio entre Mercosul e União Europeia ainda está sujeita a barreiras tarifárias ou não tarifárias. Ele ressalta, ainda, que a liberalização das tarifas será gradual e favorecerá exportações e investimentos bilaterais, contribuindo para o crescimento dos dois lados.

“O acordo abre portas para uma maior cooperação e alinhamento entre a União Europeia e o Mercosul em várias áreas, desde clima e saúde até o reforço do sistema comercial multilateral”, afirma Robson Andrade.

O presidente da CNI lembra que o acordo é uma forma de retomar o comércio industrial. Ele explica que, nos últimos anos, países da União Europeia foram ultrapassados pela China como principais parceiros comerciais e de investimentos, com efeitos negativos sobre a pauta de exportações do Brasil, mais intensiva em bens primários.

“Se bem aproveitado pelo Brasil, o tratado pode contribuir para reverter essa tendência, pois favorecerá o comércio entre as indústrias do Brasil e da Europa”, afirma Robson Andrade.

Acordo favorecerá agenda ambiental e acesso de MPEs ao mercado internacional

A nota ainda aponta que o Capítulo sobre Desenvolvimento Sustentável do Acordo Mercosul-UE é o mais avançado dos acordos comerciais no mundo. Pela primeira vez, por exemplo, o acordo prevê que as partes concordam em implementar efetivamente o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

O presidente da CNI observa que o Brasil é líder na agenda mundial de sustentabilidade ambiental e trabalhista, sobretudo na comparação com parceiros om os quais a UE já possui acordo comerciais. Ele ressalta que a emissão de CO2 pelo Brasil é a menor entre grandes economias, quase seis vezes menor que a da Coreia do Sul e sete vezes menor que a da Austrália.

Na parte trabalhista, o Brasil internalizou um número maior de acordos que seus pares na América Latina e países da Ásia que possuem acordos comerciais com a União Europeia, como Coreia do Sul e Vietnam.

Na declaração, as entidades afirmam também que tanto o Mercosul quanto a União Europeia são grandes mercados e têm uma longa tradição de comércio e investimentos. No entanto, a sua relação é prejudicada por um grande número de produtos com tarifas elevadas, procedimentos alfandegários burocráticos e testes e requisitos de certificação específicos.

“O acordo abrirá novas oportunidades e possibilitaria reduzir barreiras e burocracia para dar maior acesso de pequenas e medias empresas. Alguns exemplos de benefícios conjuntos são a remoção de tarifas elevadas, acesso a mercados de compras governamentais, regras de facilitação do comércio e barreiras não tarifárias e a proteção de um número expressivo de indicações geográficas para ambos os lados”, diz a declaração.

Por Agência CNI de Notícias

 

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