Patrão ou empregado, somos todos trabalhadores!

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O que difere nós, seres humanos, de grande parte dos demais animais da natureza são algumas características específicas acumuladas, mas nem todas exclusivas:

  • bipedalismo, o andar sobre duas pernas.
  • a capacidade de se reconhecer no espelho – chimpanzés, golfinhos e elefantes também têm essa capacidade.
  • racionalidade, esta é exclusiva dos humanos, realmente um diferencial que nos leva ao mundo das ideias.
  • temos ainda a palavra, a linguagem. A qual utilizamos para criar e registrar conceitos, nomear os objetos e os seres e construir um pensamento abstrato.
  • postura ereta.
  • polegar opositor, que possibilita o movimento de pinça com as mãos.

O acúmulo de todas estas características incríveis, permitem aos humanos criar inúmeras formas de expressão através da arte, realizar tarefas, calcular e seguir a lógica.

Então, a nós humanos cabe ter um pensamento crítico individual, racional e sempre pronto para se adaptar a novos argumentos, condições, relações e períodos. Temos que fazer leituras de ambientes, situações, pessoas.

Enfim, o que deve ficar claro para todos é que temos as mesmas capacidades, mas nem sempre as mesmas condições e isso nos torna indivíduos. É aquilo que o ambiente ao qual o ser humano é exposto apresenta de possibilidades e as escolhas que este indivíduo consegue fazer em diferentes situações.

Não podemos dizer que patrões exploram empregados, pois esta é uma afirmação rasa, generalista e altamente ofensiva para grande maioria dos empreendedores, estes corajosos que se arriscam em empréstimos, geram empregos de forma honesta, investem em treinamento de seus colaboradores, formam pessoas e ainda são minados diariamente por infindáveis regras e impostos.

Podemos afirmar sim, que pessoas exploram pessoas, sem rotular o empreendedor como malfeitor. Geralmente encontramos relações de exploração entre abusadores e vulneráveis. Pessoas com muito poder ou que se sentem superiores, mais fortes que os demais, e, do outro lado, pessoas desacreditadas de várias formas, sem esperança e perspectivas que se sujeitam ao desumano.

Quer exemplo melhor do que a China? Uma potência, repleta de tecnologia e recursos que esconde em seus porões um submundo de exploração humana. E isso não é nenhum segredo, é um diferencial que atrai empresas do mundo todo e nem por isso a situação é explorada nas mídias e debatida, isso vai para debaixo do tapete. É por este ambiente, por este submundo de privações de todos os tipos que o ser humano perde a racionalidade e a dignidade, vivendo de restos, migalhas e morcegos.

Voltando ao Brasil. Aqui temos a democracia acompanhada do empobrecimento do país em função da corrupção. A conta do engessamento político, das infindáveis camadas de cargos, assessores, gabinetes e seus jogos de troca de favores – que para grande mídia muda de nome conforme o interesse, sendo chamada de articulação política, troca de cargos por apoio, corrupção, como lhes convém para incitar a discórdia ou buscar apoio – enfim, esta conta quem paga é quem produz, ou seja, empresas e colaboradores. Só não pagam por isso os informais.

Bom, geralmente o empreendedor brasileiro é o sujeito que se viu sem atualização educacional para conseguir um bom emprego formal e começou a fazer algo que sabia para buscar recursos financeiros – tem uma pesquisa bem bacana do Sebrae sobre o perfil do empreendedor brasileiro. E isso dá certo para muita gente. Quando a pessoa percebe que vai precisar de ajuda, ou seja, gerar emprego, é que se vê obrigada a formalizar o seu negócio e aí descobre que quanto mais emprego ela gerar, quanto mais a sua empresa prosperar, mais a sua empresa será massacrada e punida.

A impressão é que os empresários vivem num game e seus oponentes são:

  • 1º armadilha das novas leis, que mudam diariamente e as empresas e seus contadores estão sempre se adequando.
  • 2º impostos e obrigações assessorias cada vez mais complexas e difíceis de serem cumpridas e com prazos curtos e inflexíveis.
  • 3º o pessoal da derrubada, que com uma multa quebram uma empresa, é a pior fase: Receita Federal, caçando inconformidades com multas surreais.

Em plena pandemia, com fechamento de milhares de empresas, desemprego e sem oferta de novas vagas fica difícil comemorar o Dia do Trabalhador, porém há alguns aprendizados importantes que devemos levar para a vida que seguirá:

  • Leis trabalhistas são importantes, mas educação de base para que as pessoas tenham discernimento para fazer suas escolhas é fundamental.
  • Governos que querem incentivar a geração de empregos não deveriam taxar empregos gerados e trabalhadores.
  • Trabalhadores deveriam ser tratados como adultos e serem instruídos sobre economia e investimentos seguros para sua aposentadoria.
  • Para termos mais formalização de empresas o incentivo deveria ser a simplificação.
  • Chega de mudanças de regras, isso é pegadinha para multar empresas.
  • Quem acredita em você, lhe dá um emprego, te confia funções e te paga o que você aceitou receber para este trabalho é seu inimigo?
  • Assim como as empresas estão tendo que se adaptar ao uso das tecnologias para diminuir os seus custos e automatizar processos, o Governo deveria fazer o mesmo, enxugando a máquina, mas isso só será possível com leis claras, seguras e que durem.
  • Se as fábricas estão em países que exploram os trabalhadores, os produtos devem ter taxação alta para entrarem no Brasil, afinal de contas, os nossos produtos são mais caros porque respeitam os seres humanos.
  • Se só a China vende um determinado produto, isso não pode ser encarado como um problema, mas sim como uma gigantesca oportunidade, ainda mais neste momento. Está na hora de observar e criar novos projetos.
  • O colaborador, agora mais do que nunca, terá que mostrar sua parceria com o empregador na preservação do emprego. Nas MPs 927, 932 e 936, o Governo deu diversas ferramentas para isso, mas trata-se de um acordo, ou seja, as duas partes devem aceitar.

Por fim a mensagem é: empresários e colaboradores são trabalhadores que oficializaram uma relação contratual onde o contratado dispõe de suas habilidades, talentos, inteligência e força para ajudar no propósito da empresa contratante e que em troca de entregar o que foi combinado deve receber um valor financeiro pré combinado. Porém a humanidade desta relação é que fará toda diferença, pois é necessária que esta construção tenha em seus alicerces o respeito, o amor e a verdade.

Muita saúde a todos e se der fiquem em casa!

 

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