Demissão deve ser mais humanizada do que nunca

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Artigo escrito por Patricia Correa*

Em tempos de Pandemia todos estamos enfrentando situações extremamente desafiadoras no nosso dia a dia, seja nas nossas relações familiares pela nossa restrição de convivência diária, nas relações sociais e certamente na nossa forma de trabalhar e de se relacionar no ambiente corporativo. Precisamos entender que esta não é uma situação que foi prevista, principalmente pelas empresas. Todos estão se adaptando, seja no trabalho em casa, na organização das atividades, no relacionamento com os clientes ou no repensar sobre o formato de negócio.

No entanto temos visto diariamente a questão econômica sendo afetada e certamente as empresas estão revendo sua estrutura, suas finanças e adequações para enfrentar o momento, que é de incertezas.

Quem está acompanhando o cenário atual pode perceber que algumas empresas estão adotando estratégias para amenizar o impacto econômico, se adequando a este momento e preservando as pessoas, preocupando-se com o bem estar dos seu colaboradores e até instruindo sobre a saúde física e mental. As iniciativas junto aos colaboradores incluem jornadas flexíveis, tele trabalho e home office que já estão no cotidiano.

Outro ponto de investimento está na presença digital, então o foco é o aperfeiçoamento dos canais de comunicação e a busca por boas ferramentas de treinamento a distância para manter as equipes integradas.

Porém, muitos casos vêm exigindo medidas mais drásticas para manutenção do emprego, fazendo com que as empresas utilizem-se de ferramentas que geram economia e que foram possibilitadas pelo Governo, entre elas a antecipação de férias, a diminuição de carga horária e salários, a suspensão do contrato de trabalho, tudo para evitar demissões.

Inegável é o triste fato de que a COVID-19 impactou a vida de todos: muitas empresas precisam encolher para sobreviver, também temos aquelas que não sobreviveram e já fecharam suas portas e outras tantas que fecharão em breve. A consequência disso são as demissões em massa que passam a figurar com frequência o cotidiano de milhares de pessoas.

Sabemos que o processo de desligamento já não é fácil, mas neste momento é fundamental tentar amenizar essa situação através da forma como esta ação será realizada, pois isso fará muita diferença na estabilidade emocional de todas as partes envolvidas.

É um momento delicado, e cada vez mais ouvimos pessoas falando sobre sua experiência traumática com as demissões, mas ser demitido por mensagem ou whatsapp foi a pior que ouvi. Isso só demonstra insensibilidade. No entanto a situação pede cuidado e atenção redobrada neste quesito, pois somos humanos e estamos todos nos adaptando a este momento.

Se a demissão for a alternativa, procure tratar com respeito e humanização a situação. O ideal é que ela seja feita pelo líder ou então, pelo profissional de RH. Estes profissionais precisam absorver esta responsabilidade, portanto sugiro que reflitam o quanto suas palavras e suas posturas podem ser importantes para este momento.

Procurem tratar a situação de forma transparente. Caso a demissão não possa ser presencial, por conta das restrições, o vídeo pode ser uma alternativa, mas sugiro que se faça de forma individualizada, empática, passando todas as informações e orientações deste processo. Finalize agradecendo pelo trabalho desempenhado pelo colaborador até aquele momento. Se possível deixe o colaborador se expressar e coloque-se à disposição.

Fazer um desligamento em um momento de crise traz medos, incertezas e inseguranças para ambos os lados, mas não podemos esquecer: RESPEITO E RESPONSABILIDADE são essenciais! Logo, tudo isso vai acabar e vamos sair dessa. Vamos reconstruir e recomeçar!

*Patricia Correa- Psicóloga Organizacional CRP12/02675

 

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