O grande salto da produtividade

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Artigo do presidente do Sebrae, Carlos Melles, debate sobre a necessidade de incrementar a produtividade dos pequenos negócios no Brasil

Sem um grande salto na produtividade das empresas, o Brasil está condenado a viver na periferia dos países mais avançados do mundo. Nossa economia pode até brilhar um ano aqui e outro ali, como os fogos de artifício das comemorações eventuais, o que já aconteceu no passado. Entretanto, o desenvolvimento necessário e almejado é aquele capaz de resolver de maneira permanente as mazelas estruturais e proporcionar o florescimento da Nação em sua plenitude.

Em 2019, a produtividade do trabalho por pessoa empregada no Brasil era de US$ 32,9 mil, isto é, apenas 25% em relação aos Estados Unidos, cujo valor ficou em US$ 131,8 mil, conforme dados do The Conference Board, de reconhecida reputação. Dito de outra maneira, na média, um trabalhador americano gerava o mesmo valor adicionado que quatro brasileiros. Pelo mesmo critério citado, o Brasil ficava em 78º lugar no mundo. Indo além da frieza dos números, é uma situação difícil de aceitar, pois sabemos que os nossos trabalhadores dão duro para sustentar suas famílias – e em condições muitas vezes precárias.

A situação da baixa produtividade é ainda pior quando se coloca o foco no setor dos pequenos negócios. Estudo clássico da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que as grandes empresas da região tinham níveis de produtividade até 33 vezes maior que as microempresas e até seis vezes maior do que as pequenas. Em países desenvolvidos, essa diferença costuma ser consideravelmente menor. Na Alemanha, uma unidade de micro ou pequena empresa (MPE) tem, em média, cerca de 70% da produtividade de uma grande empresa no mesmo país.

Descrevo esse cenário desolador, que vinha se agravando há bastante tempo, para destacar que está em andamento o mais abrangente programa já colocado em marcha para enfrentar a situação no país, com duração até o final de 2022. É o Brasil Mais, iniciativa da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), do Ministério da Economia, e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com execução do Sebrae e do Senai. Trata-se do maior da América Latina e o segundo do mundo, atualmente. A criação do novo programa se deu mediante decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, em fevereiro.

No Brasil Mais, cabe ao Sebrae impulsionar microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) para o aumento da produtividade, com base no desenvolvimento das capacidades gerenciais, em particular no setor de comércio e serviços, visando conseguir melhorias rápidas e de alto impacto. Dessa maneira, esses negócios se tornarão também mais competitivos, com ganhos para a economia como um todo. Nos três anos, os investimentos do Sebrae somarão R$ 650 mil nas atividades do Brasil Mais.

Numa fase inicial, de sensibilização, o atendimento se dirige a 500 mil empreendedores, para atrair participantes de todo o país, que poderão se inscrever por meio de uma plataforma na internet.

Em seguida, na fase de otimização, 105 mil empresas receberão o Agente Local de Inovação (ALI), do Sebrae, durante oito meses. É um especialista selecionado, preferencialmente, entre profissionais recém-formados de administração de empresas, economia, ciências da computação, sistemas de informação, design e engenharia. Haverá 1.100 desses agentes em campo, contratados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – altamente capacitados para desempenhar sua missão.

Ao chegar na empresa, o ALI faz um diagnóstico, o ponto de partida para a aplicação de ferramentas de inovação. Ele ajuda a implantar a gestão por indicadores, mediante coleta sistemática de dados, bem como elabora um plano de ação, contemplando consultorias pontuais para as necessidades específicas daquela empresa. Isso pode se dar em qualquer uma das áreas eleitas como prioridade para as ações de melhorias gerenciais: controle de estoque, recursos humanos, layout das lojas, informatização de processos, finanças ou marketing digital, dentre outras. O agente fará o acompanhamento da execução do plano estabelecido, com visitas a cada vinte ou trinta dias.

Cerca de 20 mil empresas serão beneficiadas pela fase de digitalização, com introdução de novas soluções tecnológicas ou integração das já existentes, com vistas à obtenção de resultados mais favoráveis, seja na relação com os clientes, seja na administração do dia a dia da unidade. Espera-se também prepará-las em sua trajetória para a transformação digital e a Economia 4.0.

Para vencer o grande desafio de aumentar a produtividade, o Brasil pode contar com as micro e pequenas empresas, engajadas na busca das melhorias gerenciais e ávidas pelo sucesso de seus empreendimentos. Os pequenos negócios são parte da solução para um crescimento mais sustentado. O Sebrae está fazendo a sua parte.

Por Agência Sebrae de Notícias

 

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