PR: Especialistas debatem gestão de pessoas em tempos de Reforma e mudanças

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Allan Costa e o desembargador Célio Horst Waldraff falaram sobre o desafio de gerir talentos para gestores e profissionais de RH

A tecnologia modificou as formas e relações de trabalho abruptamente nos últimos anos. Mas em meio a esse cenário, gerir pessoas continua sendo um grande desafio para empresários e gestores. E foi para tratar deste assunto que a FecomércioPR e o SESCAP-PR realizaram o “Encontro de Gestores de RH”, com o tema “Recursos Humanos na Era das Reformas”. O evento foi realizado nesta quinta-feira, 19, na sede da Fecomércio, em Curitiba.

O presidente do SESCAP-PR, Alceu Dal Bosco, frisou que a entidade, como representante das empresas do setor de serviços, entende a necessidade de olhar para as pessoas, em um período em que se discute muito o impacto das tecnologias nas empresas, inteligência artificial e automação do trabalho. “Nós acreditamos que o papel de uma entidade moderna é defender as categorias representadas, mas sem perder o foco nas pessoas. Não há empresa sem empresário, sem equipe, sem o capital humano”, disse.

O presidente da Fecomércio e vice-governador do Paraná, Darci Piana, comentou que é essencial discutir a forma de gestão de pessoas, principalmente quando se fala em transformação de empregos e formas de trabalho, pois são elas que geram a transformação dentro das empresas.

O evento foi realizado por intermédio da Câmara de Serviços da Federação do Comércio do Paraná, presidida pelo coordenador Mauro Kalinke, ex-presidente do SESCAP-PR. Ele explicou que o objetivo do encontro foi “preparar gestores e profissionais de recursos humanos, tanto no âmbito da legislação trabalhista quanto na questão da gestão de pessoas, porque hoje as organizações necessitam investir na gestão de pessoas, aprimoramento e melhoramento de ambientes”.

A Reforma Trabalhista na visão do Judiciário

O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho – 9ª Região – Célio Horst Waldraff, falou sobre o impacto que a Reforma Trabalhista tem causado para empresas e trabalhadores. Segundo ele, apesar de ter sido criada com a premissa de gerar mais empregos e diminuir custos, não é o que se observa. “O efeito prático foi esse: o desemprego se manteve. Não aumentou, mas não diminuiu. Já a informalidade cresceu de forma brutal”, destacou.

De acordo com os dados apresentados, o desemprego, de 12,3%, manteve-se um índice de 11,8%, ao longo de 12 meses. A informalidade passou de 29% para 36%. “A massa salarial não cresceu. A tecnologia cria o milagre da produção em escala, mas não o consumo sem salário”, destacou Waldraff.

Outro ponto destacado pelo desembargador foi o choque das mudanças no processo judicial. “Na Justiça do Trabalho, o impacto que a Reforma gerou foi de menos processos, mas mais recursos. No 1º grau, houve redução de 33,7 % de ações ajuizadas. No 2º grau, houve aumento de 15% de novo recursos”, explicou. Para ele, a reforma acaba estimulando a não cumprimento à lei, já que os custos são muito mais elevados. Além disso, o prazo para pagamento de ações tem uma média de 993 dias.

Sindicato essencial nas democracias

O fim da obrigatoriedade do imposto sindical foi outro ponto abordado pelo juiz. “O sindicato é absolutamente essencial nas democracias. O reflexo foi que tiramos direitos dos trabalhadores. Não sei se estávamos preparados para essa mudança não gradual”, pontuou, ao considerar que uma proposta ideal seria uma reforma que oferecesse direito do trabalho reformado para micro e pequenas empresas”, destacou.

Case do Condor

A gestora de RH, Charmoniks Maria da Graça Heuer, compartilhou o case da rede de supermercados Condor, que conta com mais de 13 mil colaboradores em todo o Paraná. “O capital humano é nosso maior bem. E, nós, como empresa, precisamos estar preparados para lidar com isso”, afirmou. E, como forma de desenvolver as pessoas, a companhia criou nove escolas, dentre as quais estão a da Diversidade e a de Talentos. “São 660 menores aprendizes que trabalham na empresa, número maior que nossa cota, porque, nesse momento, precisamos acreditar não só em cotas, mas em inclusão e acreditamos que esses jovens são nosso futuro dentro da empresa”, contou.

O diretor administrativo da rede, Wanclei Said, também comentou que a aproximação do Condor com as entidades sindicais tem sido crucial para o desenvolvimento da companhia. “No começo, tínhamos receio de sindicatos, mas hoje entendemos que, se não estivermos abraçados a essas entidades, todos vão morrer”, definiu.

“Gestão de talentos em tempos de mudanças”

O consultor Allan Costa, especialista em inovação e tecnologia, falou aos participantes sobre a gestão de equipes em um cenário altamente tecnológico e de variação constante. “As coisas mudam numa velocidade imprevisível. Hoje a tecnologia é onipresente, acessível e barata”, destacou. E, quando se trata de inovação, muitas pessoas enfatizam o desaparecimento de profissões e competências, o que é contestado pelo especialista.  “A gente tende a achar que tudo que a gente sabe deixa de existir. A diferença é que tudo está desesperadamente mais rápido. Estamos viciados em tecnologia. Isso causa a disrupção. Empresas bilionárias são criadas da noite para o dia. Estamos vivendo a era da velocidade e não tem para onde correr”, disse Costa.

E, neste cenário, o planejamento plurianual não funciona. “Hoje precisa ser a cada três meses, pois tudo muda. Mas todo conhecimento é útil para nos levar mais pra frente. Isso mudou a forma como as pessoas consomem. E, novos tempos exigem novos comportamentos: como vai ser a gestão de pessoas nesta realidade?”, indagou o palestrante.

Jovens da geração millennials têm modificado a forma de gestão, em virtude de características diferentes das quais muitas organizações estavam acostumadas a ter em seus quadros de funcionários.  “Esta é a geração do eu, cujo mundo é ao vivo, que acha que sempre está em primeiro plano, uma geração narcisista, do imediatismo. Mas não significa que isso é ruim. Essa é a realidade e como lidar e reter esses talentos?”, provocou o especialista.

Uma das soluções apontadas é o sistema de recompensas e isso, segundo ele, não tem a ver apenas com dinheiro. “As pessoas caminham para onde está sua prioridade. É preciso saber premiar pelo erro, pois as pessoas precisam arriscar e nem sempre isso vai dar certo. Em uma cultura que pune o errado, é impossível ser inovador”, destacou Costa. Além disso, afirmou que nem todas as pessoas buscam modelos de negócios semelhantes às startups, o que a geração espera é poder pensar com liberdade, autonomia, espaço para desenvolvimento do melhor.

A definição de um propósito claro também é capaz de mobilizar as pessoas. “Pessoas são movidas a conexões com algo maior que elas. E a cultura de uma empresa é a única coisa que não pode ser copiada. Cultura é feita por gente, com colaboração, cocriação, compartilhamento. Essa geração busca desafios e crescimento e precisa estar externalizando que está contribuindo para os resultados”, explicou.

Onde começa a mudança?

Para Allan Costa, a mudança só acontece a partir de um novo modelo de liderança. “É o líder que molda a cultura pela ação, pelo exemplo. As pessoas copiam seu comportamento e coerência entre o que faz e o que fala”, explica. Mais que ter respostas, o papel do líder também é devolver as perguntas certas para que as pessoas tenham oportunidade de buscar os próprios caminhos.

“O líder é o que entende que o jogo mudou. As pessoas são contratadas pelas capacidades técnicas e demitidas por atitudes e valores. É preciso contratar por atitudes e valores. A gestão de talentos na nova economia não é um projeto, mas um caminho que não tem fim”, definiu. “Legado para essa geração tem a ver com fazer a diferença, com pequenas coisas. Não tem a ver com a grandiosidade das coisas. Mas com a grandeza de fazer a diferença na vida das pessoas”, finalizou.

Por Sescap-PR

 

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