Cresce investimento em educação corporativa no Brasil

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25//11 – Elizete Schazmann para Contabilidade na TV com informações da TV CRCSP
A educação corporativa pode ser definida como uma prática coordenada de gestão de pessoas e de gestão do conhecimento tendo como orientação a estratégia de longo prazo de uma organização. Ela é mais do que treinamento empresarial ou qualificação de mão de obra: trata-se de articular coerentemente as competências individuais e organizacionais no contexto mais amplo da empresa. Nesse sentido, práticas de educação corporativa estão intrinsecamente relacionadas ao processo de inovação nas empresas e ao aumento da competitividade de seus produtos (bens ou serviços).
Os escritórios contábeis acumulam cada dia mais responsabilidades, o que requer preparo e comprometimento por parte de todos os colaboradores. Na hora de contratar alguém para a equipe, a preferência é por uma pessoa atualizada com as demandas da área contábil. Mas, depois de contratado, que  incentivo o novo colaborador têm para manter-se atualizado? A manutenção do emprego pode até ser uma boa resposta, mas quando se trata de profissionais disputados no mercado é bom refletir: Quanto a sua empresa investe na qualificação dos funcionários? Você já pensou que a falta de incentivo pode levar o seu funcionário a mudar de empresa? Acredite, investir em qualificação de pessoal faz toda a diferença num mercado cada dia mais exigente.
O retrato da educação corporativa no Brasil 
Em meio a um cenário repleto de desafios na melhoria da qualificação de profissionais e na retenção de talentos no Brasil, a educação corporativa surge como uma solução cada vez mais adotada pelas empresas dos mais diversos portes. A análise está presente no estudo inédito “Educação Corporativa no Brasil”, realizado pela Deolite a partir das respostas de 126 empresas, 28% das quais indicam já possuir universidades corporativas em suas estruturas.
Entre as empresas que revelam aplicar recursos em educação corporativa, a média de investimento é de 0,47% do faturamento no período. Proporcionalmente à sua receita, são as de médio porte que mais investem, com 0,72% do faturamento anual (percentual médio indicado pelas que responderam a essa questão) e R$ 4,1 milhões (montante médio indicado pelas respondentes desse grupo a essa pergunta específica).
“O estudo revela que há uma forte tendência para o desenvolvimento e a implantação de universidades corporativas. A prática tende a crescer ainda mais nos próximos anos”, afirma Marcos Braga, diretor da Deloitte Educação Empresarial. Além das universidades corporativas, que aparecem como uma das principais tendências de ensino no âmbito das empresas, a educação à distância também é uma das vertentes em ascensão.  Dos investimentos apontados pelas empresas, 67% são destinados às iniciativas de educação presencial e 33% à distância.
Em linha com a estratégia de negócios
O levantamento também aponta que a educação corporativa deve estar alinhada à estratégia da empresa para que os seus investimentos tenham retorno. Para isso, é importante avaliar se os treinamentos realizados têm sido produtivos e cumprido com o seu papel. Desta forma, foram identificados os principais mecanismos para essa ponderação. São eles:
– avaliação de eficiência por meio de entrevistas com o gestor da equipe;
– avaliação da reação e entrevistas e indicadores de performance das operações.
O aperfeiçoamento da força de trabalho, que abrange qualificação, retenção de talentos e produtividade, está cada vez mais próximo das empresas. “O avanço tecnológico do mercado como um todo exige uma atualização permanente dos profissionais. É difícil para o meio acadêmico acompanhar esse movimento por completo. Por isso, as empresas precisam assumir e abraçar esse papel de educadores”, finaliza Braga.
Qualificando os profissionais contábeis
A gerente da UniFenacon, Helen Gama, concorda que a educação para o trabalho tem se mostrado um fenômeno crescente nos últimos anos, o que fez com que as empresas repensassem seus modelos de gestão. Ela acrescenta que, em razão não somente dessa realidade, mas do compromisso da Fenacon- Federação das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas – de fomentar a qualificação profissional dos empresários e profissionais contábeis,  pensou-se numa maneira de promover ações educacionais por meio de trilhas de capacitação específicas à área de ciências contábeis utilizando a estrutura do Sistema SESCAP/SESCON.
Ela acrescenta que o objetivo dos cursos oferecidos pela UniFenacon é dar assistência ao profissional e empresário contábil sob a perspectiva de desenvolver suas competências técnicas fundamentais e, sobretudo, estratégicas para a categoria, além daquelas que decorrem de obrigações legais.
Segundo Helen, o público é fiel. “Geralmente aqueles que assistem a uma videoaula produzida pela UniFenacon, passam a acompanhar a grade de programação da Universidade. Esse é um indicador positivo para nós quanto à qualidade do produto que temos oferecido”.
Ela explica que a ação educacional é realizada nas modalidades presencial e web, essa última viabiliza o ensino a distância (EAD). Através da estrutura do Sistema SESCAP/SESCON, a UniFenacon dispõe de pólos de atendimento presencial em todas as capitais do País.  “Desde  2014, foram exibidos 52 cursos e mais de 19 mil profissionais assistiram a alguma de nossas capacitações de forma direta”, relata.
Mas, ela estima que o público atingido seja ainda maior, pois o empresário contábil adquire a senha de acesso e projeta a videoaula para todos os colaboradores do setor correspondente àquela trilha de aprendizado, como por exemplo um curso com tema sobre área fiscal, e todos daquela área, no dia e horário determinados  assistem em grupo à videoaula, porém o acesso é realizado em senha individual no ambiente de aprendizagem virtual, e o relatório de capacitação direta contabiliza um educando em capacitação, entretanto ali esteve todo o departamento de uma empresa contábil assim, os profissionais que assistem às capacitações nos próprios auditórios/salas dos escritórios contábeis são considerados qualificação de forma indireta.
A gerente da UniFenacon avalia que, a experiência das empresas de serviços contábeis ao investir na educação profissional de seu ativo mais importante, provê o aumento da qualificação e proporcional produtividade desses colaboradores que, tendem a serem mais eficazes na execução de suas atividades diárias. Ou seja, essas empresas ganham em qualidade e aumentam muitas vezes no volume de produção com custos cada vez menores.
Treinando os clientes
Para o diretor de tecnologia e marketing da SCI Sistemas Contábeis, Elinton Marçal, a internet é fundamental como meio de comunicação para o treinamento das pessoas que operam os  sistemas da empresa, os chamados operadores ou usuários do sistema. A SCI é pioneira nesse tipo de preparação do operador do sistema através de cursos na internet, realizando os treinamentos desde 2005.
Marçal explica que são oferecidas as opções de cursos ao vivo e sob demanda. O treinamento sob demanda é através da TV SCI . Entre as vantagens, o diretor de tecnologia e marketing diz que está o fato de que os cursos podem ser assistidos a qualquer momento e são  gratuitos, assim, cada vez que a empresa contrata um funcionário novo ele pode assistir aos vídeos para saber como funciona o sistema. Ele continua esclarecendo  que os treinamentos são modulares e é possível assistir apenas ao vídeo sobre o assunto desejado, além disso, os vídeos são objetivos contendo no máximo dez minutos.
Outro modelo de treinamento oferecido aos clientes da SCI é o EAD que é interativo, dando a quem assiste a possibilidade de fazer perguntas e o contato com empresas contábeis de todo o Brasil. A desvantagem desse tipo de curso é que ele tem horário marcado. “Nós oferecemos o curso praticamente todos os dias úteis com duas horas de duração tratando de diverso assuntos” ,acrescenta.
Assim como na TV SCI, os cursos são dados por temas que, geralmente, são os mais importantes para o período. “Junto com isso são mesclados treinamentos semanais que começam na segunda e vão até a sexta-feira. São cinco aulas de folha de pagamento, por exemplo, para conhecer o sistema de forma total ou de outros temas que envolvem a contabilidade. Então, dentro do EAD nós temos vários tipos de treinamento”, conclui Marçal.
Outra modalidade de treinamento oferecido pela empresa é o presencial, em que a empresa solicita a presença de um técnico para monitorar o curso. “Embora seja a modalidade de curso mais cara, eu acredito que um escritório de contabilidade deva realizar esse tipo de curso pelo menos duas vezes por ano porque o sistema contábil é muito grande, complexo, muda muito e existem muitas legislações além da grande rotatividade de colaboradores que  chegam sem conhecer o sistema. Esses novos colaboradores acabam ligando excessivamente para a empresa de software para fazer perguntas básicas e sobrecarregando o suporte do responsável pelo sistema. “Se os usuários não conhecerem o sistema  vai ser necessário treiná-los  por telefone e uma ligação que deveria levar um minuto leva uma hora”, reclama.
Para Marçal, o cliente precisa ter a consciência de que um profissional mal treinado vai reclamar do sistema porque está usando de forma errada,  que essa má utilização pode causar problemas para o escritório contábil e para os seus clientes que serão detectados somente dentro de alguns anos, quando o colaborador possivelmente nem estará mais trabalhando no escritório, e que vai  arcar com o ônus do erro. “Por isso é fundamental promover treinamentos frequentes para equipe”, adverte.
Veja o exemplo de um escritório contábil que criou uma universidade corporativa
A qualificação de pessoal é o assunto em destaque do  Jornal do CRC SP de agosto, exibido pela TV do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo. Na principal reportagem, o jornal mostra  um escritório de contabilidade com 50 anos de tradição,  que investe na qualificação dos funcionários como forma de valorizar os talentos e ampliar o conhecimento dos colaboradores, um diferencial para a empresa se destacar no mercado. O resultado foi a criação de uma universidade corporativa para  qualificar melhor os colaboradores.
Veja também, no Jornal CRCSP de agosto, o lançamento do Manual de Procedimentos para o Terceiro Setor e uma entrevista especial sobre a importância da perícia no atual contexto brasileiro com o presidente da Associação de Peritos Judiciais do Estado de São Paulo (APEJESP), José Vanderlei Masson dos Santos.

 

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