Palavra do especialista: Analise Copom

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Artigo escrito por Marcela Heilbuth Pereira Rocha*

– Em decisão unânime, o Banco Central decidiu reduzir em 0,5 p.p. a taxa Selic para 5,5% a.a. de 6,0% a.a.

– A decisão foi em linha com a nossa expectativa e com o consenso do mercado.

– O comunicado do Banco Central após a decisão sinaliza nova queda da taxa de juros de 0,5 p.p. na reunião de outubro e indica que a Selic deverá cair para um patamar abaixo de 5,0% a.a. até o final do ano.

– Sobre a continuidade do ritmo de queda da Selic em 0,5 p.p. na reunião de outubro, o Banco Central afirmou que “avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”. A opção de explicitar novamente o espaço para um “ajuste adicional” sinaliza conforto do Banco Central em manter o ritmo de corte de 0,5 p.p. na próxima reunião.

– De fato, o Copom reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. Porém, é justamente a evolução das projeções de inflação do Banco Central que trazem conforto em um novo corte de 0,5 p.p. e permite o Banco Central sinalizar a Selic abaixo de 5,0% até o final do ano.

– Em relação às projeções de inflação, além de os dois cenários usuais de inflação do Banco Central (Focus e juros e câmbio constantes) apontarem para o IPCA 2020 (horizonte relevante para a política monetária) abaixo da meta de 4,0%, no comunicado da decisão de setembro, o Banco Central fez questão de explicitar sua projeção em um terceiro cenário: o cenário híbrido. Em uma simulação com taxa de câmbio constante em R$/US$ 4,05 e trajetória de juros da pesquisa Focus, a inflação fica em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020. Este cenário evidencia o conforto com a projeção para o IPCA de 2020. Afinal, mesmo neste cenário de Selic em 5,0% e taxa de câmbio a R$/US$ 4,05, o IPCA terminaria o ano que vem em 3,8%, abaixo da meta de 4,0%.

– Também importante, o Banco Central ressaltou que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.

– Apesar de os riscos não alterarem, o Banco Central não considera mais que o o risco (ii) é preponderante. Agora, para o comitê, o risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergente.

– Por fim, em nossa avaliação, apesar de a decisão de setembro do Banco Central ficar em linha com as nossas expectativas, o comunicado após a decisão trouxe mais clareza a respeito dos próximos passos do Copom. As projeções do Banco Central para o IPCA de 2020 ainda abaixo da meta de 4,0%, o balanço de riscos favorável para a inflação e, principalmente, a sinalização do comitê de que haverá um ajuste adicional no grau de estímulo, sinalizam que o ritmo de corte de juros deve ser novamente de 0,5 ponto percentual na reunião de outubro e que há espaço para a Selic encerrar o ano em 4,5% a.a.

*Marcela Heilbuth Pereira Rocha – economista chefe da Claritas Investimentos

Por Press a Porter

 

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