Monitor do PIB FGV: Agropecuária e Industria influenciam queda de 0,2% do PIB em julho

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O Monitor do PIB-FGV aponta, nas séries dessazonalizadas, queda 0,2% do PIB da atividade econômica em julho, em comparação a junho. Na variação trimestral móvel (mai-jun-jul) comparado ao trimestre (fev-mar-abr) a atividade econômica apresentou crescimento de 0,5%.

Na comparação interanual a economia cresceu 0,8% em julho e 1,3% no trimestre móvel findo em julho, mantendo o crescimento da taxa acumulada em 12 meses em 0,9%.

“A economia continua travada, com sinais conflitantes: Na série dessazonalizada, caiu 0,2 no mês de julho contra junho e na variação trimestral móvel (mai-jun-jul) comparada ao trimestre anterior (fev-mar-abr) cresceu 0,5%. Por sua vez nas taxas interanuais cresceu 0,8% no mês e no trimestre móvel cresceu 1,3%, mantendo a taxa acumulada em 12 meses nos 0,9%, um pouco abaixo da taxa alcançada no segundo trimestre divulgada pelo IBGE. Entre os três grandes setores, a agropecuária e a indústria apresentam taxas dessazonalizadas negativas, salvando-se o setor de serviços que apresenta taxa positiva pelo quarto mês. Na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento continua fraco (1,3% para o PIB), mas os três grandes setores têm taxas positivas como já ocorre há pelo menos 3 trimestres móveis. O PIB continua desde o trimestre findo em maio de 2017, apresentando taxas trimestrais positivas, com média de 1,2% para todo o período. Os dados mostram que, apesar do crescimento, a economia ainda não consegue se libertar da armadilha do baixo crescimento da economia, em torno de 1%.” afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

A queda de 0,2% da economia observado em julho, em comparação a junho, é explicado, principalmente pela agropecuária (-1,3%) e indústria total, puxada pela eletricidade (-3,6%), transformação (-1,1%) e construção (-1,1%). Na comparação da série sem ajuste sazonal, o crescimento de 0,8%, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, foi impulsionado, principalmente, pelo setor de serviços (1,8%), em que todos os componentes apresentaram crescimento. Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 2,5%, a importação voltou a crescer (1,4% ante -2,0% no mês anterior) e as demais séries contribuíram negativamente (consumo do governo -0,3%, formação bruta de capital fixo -0,8% e exportação -2,8%).

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 2,2% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Desde o terceiro trimestre de 2018, o consumo de serviços tem sido o principal responsável pelo crescimento deste componente (contribuição de 1,2 p.p. neste trimestre móvel), seguido pelo consumo de duráveis (contribuição de 0,6 p.p. no trimestre móvel findo em julho).

Formação bruta de capital fixo

A FBCF cresceu 3,7% no trimestre móvel findo em julho, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, máquinas e equipamentos foi o componente que mais contribuiu para este crescimento (2,1 p.p.). Também contribuindo positivamente, os componentes de construção e de outros da FBCF contribuíram neste trimestre, conjuntamente, em 1,6 p.p. para a taxa de variação do total da FBCF.

Exportação

A exportação apresentou queda de 0,5% no segundo trimestre móvel findo em julho, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. Os únicos componentes que apresentaram contribuição positiva foram bens intermediários (4,7 p.p.) e bens de consumo (0,4 p.p.). É o primeiro resultado negativo na série de exportação de produtos da extrativa mineral em um ano, reflexo do desastre de Brumadinho.

Importação

A importação cresceu 3,9% no trimestre móvel findo em julho, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. As importações da extrativa mineral (16,8%), bens intermediários (12,2%) e serviços (4,2%) foram os destaques positivos da série. As séries de produtos agropecuários (-6,7%), bens de consumo não-duráveis (-7,9%), bens de consumo duráveis (-15,3%) e bens de capital (-17%) contribuíram negativamente no trimestre.

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente 4 trilhões, 107 bilhões, 496 milhões de Reais no acumulado até julho do corrente ano.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 18,2%, em julho, na série a valores de 1995.

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2016, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (segundo trimestre de 2019).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995. Uma metodologia detalhada está disponível no link: https://portalibre.fgv.br/publicacoes/estudos-e-pesquisas/metodologias/metodologias-46.htm

Acesse o press release

Por Portal IBRE FGV

 

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