ICOMEX: comércio em ritmo de queda no mercado dos principais parceiros com exceção dos EUA

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1. A desaceleração do crescimento do comércio mundial e o baixo nível de atividade da economia brasileira contribuíram para a queda em 15% na corrente de comércio (exportações mais importações) na comparação mensal entre agosto de 2018 e 2019.

2. O recuo na corrente de comércio é explicado tanto pela queda do valor exportado (13%) como do valor importado (17%). Destaca-se que a maior queda das importações em relação às exportações explica o melhor resultado da balança comercial de agosto de 2019 (US$ 3,2 bilhões) em relação a de agosto de 2018 (US$ 2,8 bilhões).

3. Em termos de volume a queda das exportações e importações foi igual, quando se compara o mês de agosto deste ano com o de 2018 (13%), mas os preços dos bens importados registraram maior recuo do que os preços dos exportados, o que explica a maior retração do valor importado do que do exportado.

4. Na comparação do acumulado do ano até agosto, a corrente de comércio e o saldo da balança comercial recuaram. Esse último passou de US$ 37 bilhões para US$ 32 bilhões, associada a uma queda mais acentuada nas exportações (5,9%) do que nas importações (3,4%).

5. Em termos de volume, as variações na comparação do acumulado no ano mostram um recuo de 1,4% nas exportações e 0,3% nas importações. Observa-se que nesse período de comparação, o volume exportado da indústria extrativa cresceu (5,2%) e da agropecuária (1,3%). No entanto a queda de 3,8% na indústria de transformação levou ao recuo no volume total exportado.

6. Destaca-se, porém, que no mês de agosto todos os setores contribuíram para a queda no volume exportado cabendo a liderança à indústria de transformação, 10,8%. Essa queda foi liderada pelo recuo no volume das exportações de bens de capital (58,1%), seguido de bens duráveis (30,2%). No primeiro caso influenciou a presença das plataformas de petróleo. Se excluídas da comparação, o recuo cai para 20,1%, indicando que em agosto de 2018 ocorreu um maior volume de exportações de plataformas do que em 2019.

7. Logo, como será analisado no ICOMEX mais uma vez as plataformas de petróleo influenciaram os resultados. No caso das importações de bens de capital na FBCF, o volume importado caiu 43% na comparação dos meses de agosto e excluindo as plataformas passa para um aumento de 16,3%, sinalização de uma possível de melhora no investimento.

8. Não é observado um cenário de ganhos expressivos nos termos de troca (1,6% entre o trimestre de junho a agosto de 2018 e de 2019). Ao mesmo tempo, porém, ressalta-se que se, por um lado não há ganhos expressivos, por outro lado o comportamento dos preços no mercado internacional não é, no momento, um fator de risco para a estabilidade do setor externo.

9. Por último, essa edição do ICOMEX traz os volumes exportados para a Argentina, o que permitiu comparar o desempenho com os mercados já apresentados em edições anteriores. Os Estados Unidos despontam como o mercado de destino onde as exportações brasileiras mostram o melhor desempenho.

Destaque do mês

A comparação entre os 3 principais mercados de destino das exportações brasileiras mostra que somente para os Estados Unidos as variações nos volumes são positivas seja na comparação mensal ou acumulada. O resultado não muda quando incluímos a União Europeia. As maiores quedas são para o mercado argentino que vivencia um período de recessão.

No caso das importações, os dados para a Argentina serão apresentados no próximo ICOMEX. Se destaca a queda nas compras oriundas da China e da União Europeia, exceto um aumento de 0,1% na comparação mensal, e o crescimento das importações estadunidenses compras oriundas dos Estados Unidos.

Uma análise preliminar dos principais produtos exportados e importados no comércio bilateral Brasil-Estados Unidos mostra aumento no comércio de gasolina, óleo bruto de petróleo, máquinas de terraplanagem, aviões (exportações) e semimanufaturas de ferro e aço (exportações).

Análise dos índices agregados

Após quatro meses sem o registro de operações com as plataformas de petróleo nos volumes de comércio, o impacto dessas operações voltou em julho e se repetiu em agosto. A variação no volume exportado foi negativa de 13%, assim como o do importado, entre os meses de agosto de 2018 e 2019. Com a exclusão das plataformas esse percentual passa para um recuo de 7,4% nas exportações e de 2,2% nas importações. Sem as plataformas, portanto, as quedas são menores, o que indica que na comparação dos meses de agosto houve relativamente mais importações de plataformas do que exportações – a diferença nas importações é mais acentuada do que nas exportações. Independente da inclusão ou não das plataformas, os volumes exportados e os importados caem, na comparação mensal.

Quando analisamos os dados do acumulado do ano até agosto, o volume exportado recua 1,4% e o das importações. 0,3%. Se excluirmos as plataformas, os percentuais passam para positivo: 0,4% (exportações) e 3,9 % (importações). O volume exportado estaria, portanto, estável e as importações em crescimento. Os preços caem das exportações e importações na base mensal ou no acumulado do ano.

O desempenho das exportações de commodities foi positivo no acumulado do ano (3,2%), mas em agosto o volume exportado caiu 4,3% em relação a agosto de 2018. Petróleo, carnes e agrícolas, exceto soja, registraram aumento na quantidade importada na comparação do acumulado até agosto. Os preços caíram na comparação do acumulado (4,3%), mas subiram em agosto 2,9%. As exportações de não commodities recuam seja na comparação mensal ou do acumulado no ano. O impacto das plataformas em agosto fica nítida, pois quando são excluídas na comparação mensal, a queda passa de 23,9% para 12%, o que continua indicando uma piora no desempenho do volume exportado das não commodities.

Os volumes importados das commodities e não commodities caem na comparação dos meses de agosto. No entanto se excluímos as plataformas, a queda passa para 1,1%. Na comparação dos acumulados até agosto, as importações de commodities aumentam em 2,9% e das não commodities 3,9%, caso excluirmos as plataformas. Logo, o que os dados estão apontando é um crescimento positivo nas importações se desconsiderarmos a adaptação que foi realizada no ano passado nas regras contábeis do REPETRO, como já analisado em edições anteriores. Os preços recuam nos dois agregados, exceto para as commodities em agosto — aumento de 2,9%.
A queda mais acentuada nos preços de importações do que nas exportações explica a melhora nos termos de troca. Embora os termos de troca caiam entre os acumulados do ano até agosto em 1,6%, aumentaram 7% entre janeiro e agosto de 2019, 4,6% entre agosto de 2018/2019 e 1,6% entre o trimestre de junho a agosto de 2018 e 2019. Não é um cenário de ganhos expressivos nos termos de troca, mas mostra que o comportamento dos preços no mercado internacional não é fator de risco para a estabilidade do setor externo.

Os índices de preços e volume agregados e por tipo de indústria

Os volumes exportados das três indústrias recuaram em agosto de 2019 em comparação com 2018, sendo que a queda de 0,8% na agropecuária sugere uma relativa estagnação das exportações do setor. O efeito plataforma se faz presente na indústria de transformação, onde a queda de 16,7% passa para um recuo de 7,7%, sem as plataformas. No caso das importações, todas as quedas são acima de 10%, porém se excluirmos as plataformas, as importações da indústria de transformação passam de uma queda de 10,7% para um aumento de 2,2%.

No acumulado do ano até agosto, a indústria extrativa lidera o aumento das vendas externas (5,2%), seguida da agropecuária (1,3%). A indústria de transformação registra queda seja com plataforma (3,8%) ou sem plataforma (0,9%). Observa-se que o melhor desempenho da indústria extrativa está associado às exportações de petróleo que na comparação do ano até agosto aumentaram em 15,8%.

A análise dos volumes exportados na base mensal por categorias de uso da indústria de transformação mostra queda em todas as categorias, exceto nas exportações de semiduráveis. A maior queda está nas exportações de consumo duráveis (setor automotivo), se considerarmos os bens de capital sem plataformas. Nas importações, todas as categorias registram recuo no volume comercializado. Destaca-se o caso das importações de bens de capital: com plataformas (queda de 42,9%) e sem plataforma (aumento de 16,3%). A indústria de transformação estaria, portanto, sinalizando um aumento nas compras de bens de capital — um sinal positivo para a taxa de investimento. A retração no volume exportado de consumo duráveis é acompanhado de uma queda nas suas importações. Como esse é um setor com elevado grau de comércio intra-firma e intra-setorial, os dados sugerem uma retração do nível de atividade dessa categoria de uso.

Em relação aos dados da variação entre os acumulados do ano até agosto é observada novamente a reversão do sinal de negativo para positivo das importações de bens de capital quando excluímos as plataformas: queda de 12,9% para um aumento de 14,9%. Quanto aos outros bens, as exportações caem exceto, para consumo não duráveis, semiduráveis e bens intermediários e na análise do volume importado, além dos bens de capital, a variação é positiva para bens intermediários.

No ano até agosto a compra de bens intermediários pela indústria (3,6%) foi inferior ao do setor de agropecuária (15,8%), mas que em agosto as variações são negativas e próximas. Nesse último caso, os dois setores estariam com indicadores de recuo no nível de atividade, pelo menos em termos de compras no mercado externo. No caso das compras de bens de capital, mesmo se retirarmos as plataformas, o resultado do setor agrícola no acumulado do ano (28%) é superior ao da indústria (14,9%). Na comparação dos meses de agosto, o setor agrícola registrou queda nas compras de bens de capital, mas a indústria aumento (16,3%), sem as plataformas.

Acesse o press release

Por Portal Ibre FGV

 

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