Seminário na CNC debate empreendedorismo feminino

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O Banco Mundial quer estimular o debate de políticas públicas que tratem da igualdade de gênero, fator considerado fundamental para o crescimento econômico. Com esse objetivo, realizou o estudo “Mulheres, Empresas e o Direito 2019 – uma Década de Reformas”, apresentado em 12 de agosto pela diretora do Banco Mundial para o Brasil, a economista espanhola Paloma Anos Casero, no 1º Seminário Mulheres, Empresas e Direito – uma Visão Internacional Comparada, realizado na sede da CNC, em Brasília.

Outra palestrante do Seminário, a coordenadora nacional dos Projetos do Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Renata Malheiros, apresentou estudo da instituição o qual mostra que as mulheres já representam 50% dos novos negócios no País.

O presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, que representou o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, disse na abertura que estava orgulhoso da realização do evento, “por sua importância e por abrir perspectivas para a mulher empreendedora”.

Lembrou que um dos seus primeiros atos quando assumiu a presidência, há cinco meses, foi criar a Câmara de Mulheres Empreendedoras, que hoje tem à frente a empresária Beatriz Guimarães. O Seminário foi uma iniciativa conjunta entre a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Câmara e o Banco Mundial.

A Câmara reúne hoje mais de 100 pessoas e realizará sua primeira missão internacional a Portugal, em setembro. Maia disse que a Câmara é integrada por empresárias muito ativas, “tem todo o suporte para crescer e conduzir um papel importante na ação mobilizadora da Federação”.

Na avaliação do presidente da Fecomércio-DF, é preciso buscar mais empresárias que hoje realizam um trabalho discreto, mas que estão à frente de empreendimentos de porte, que geram renda, trabalho e impostos. “A integração dessas empreendedoras trará experiência e conteúdo para engrandecer o trabalho da Câmara”, finalizou.

Banco Mundial
A diretora do Banco Mundial para o Brasil, que estava em seu primeiro dia de trabalho no País, disse que o levantamento feito ao longo de 10 anos em 187 países mostra o compromisso da instituição de gerar dados confiáveis e construir parâmetros sólidos para o desenvolvimento.

Segundo Paloma Casero, a igualdade de gênero torna as instituições mais representativas e beneficia não apenas as mulheres, mas a sociedade como um todo. “Em todo o mundo, as nações têm avançado de forma significativa para diminuir as desigualdades entre homens e mulheres, particularmente nas áreas de educação e saúde”, afirmou.

Infelizmente, na opinião da executiva, a desigualdade ainda é generalizada. Em muitos países, a capacidade produtiva e a participação das mulheres são limitadas. E isso tem um custo grave para os países: em termos globais, a perda em riqueza de capital humano devido à desigualdade de gênero é estimada em US$ 160 trilhões, duas vezes o valo do PIB mundial.

Discriminação
De acordo com o Banco Mundial, a riqueza total no mundo teria uma alta de 14% se fosse alcançada a igualdade de renda entre gêneros. No Brasil, como em outras partes do mundo, as mulheres enfrentam discriminação e barreiras no acesso ao trabalho e à renda, que limitam sua plena participação na economia.

De acordo com Paloma, os resultados do trabalho do Banco Mundial, realizado em 187 países durante 10 anos, podem ajudar a melhorar a compreensão de como a lei afeta as oportunidades econômicas das mulheres, os recursos que elas podem acessar e as decisões econômicas que tomam. “As leis podem ser ferramentas para capacitar as mulheres, em lugar de impedi-las de atingir seu potencial”, enfatizou.

Conforme a pesquisa, em 131 países ocorreram 274 reformas de leis e regras que conduziram ao aumento da igualdade de gênero. A pontuação global média, no entanto, é de 74,71 pontos, indicando que os países concedem às mulheres apenas três quartos dos direitos dados aos homens.

O Brasil está acima da média internacional, mas ainda não alcançou a igualdade de gênero. “Mas nos falta promover mudanças em áreas que afetam a capacidade de a mulher receber melhores salários, retornar ao trabalho após a maternidade e empreender”, concluiu.

Sebrae
Já Renata Malheiros, do Sebrae, afirmou que a legislação avançou bastante, mas as questões culturais ainda são barreiras”, avaliou. “Metade das empresas são abertas por homens, mas 44% das mulheres que empreendem, o fazem por necessidade, frente a 32% dos homens. O ideal é empreender por oportunidade”, explicou.

A coordenadora do Sebrae Nacional ressaltou ainda que os principais setores liderados por mulheres no país são de alimentos e bebidas, vestuário e beleza. Explicou que é preciso aumentar a presença de empresas lideradas por mulheres em setores altamente inovadores, como robótica, biotecnologia, tecnologia da informação, entre outros.

Do evento participaram ainda a secretária Nacional de Justiça, que representou o ministro Sérgio Moro, Maria Hilda MarsiaJ Pinto, e dirigentes de entidades ligadas ao empreendedorismo feminino.

Por CNC

 

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