Monitor do PIB: a economia volta a crescer lentamente no segundo trimestre

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O Monitor do PIB-FGV aponta, nas séries dessazonalizadas, crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre, na comparação com o primeiro, revertendo a queda de 0,1% observada no primeiro trimestre. No mês de junho, o indicador aponta crescimento de 0,7% da economia, em comparação a maio.

Na comparação interanual a economia cresceu 0,7% no segundo trimestre, o que manteve o crescimento da taxa acumulada em 12 meses em 0,9%, mesma variação observada no primeiro trimestre do ano.

“O crescimento de 0,2% da economia neste segundo trimestre, segundo o Monitor do PIB-FGV, põe a economia de volta a trajetória de crescimento que havia se perdido no primeiro trimestre. Entre os três grandes setores, a agropecuária e a indústria apresentam taxas negativas, salvando-se os serviços que já apresenta taxas positivas há dez trimestres. Na comparação contra o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento é fraco, mas positivo como já ocorre desde o quarto trimestre de 2016. Os dados mostram que, apesar do crescimento, a economia ainda não consegue se expandir a taxas mais robustas” afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

O crescimento de 0,2% da economia observado no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, mostra uma melhora da tendência da atividade econômica, que vinha recuando desde o quarto trimestre de 2018. Esse crescimento é explicado pelo desempenho do setor de serviços, único dos três grandes setores de atividade a apresentar crescimento neste trimestre (0,3%). Pela demanda, o consumo das famílias cresceu 0,7%, décimo crescimento consecutivo deste componente, e a formação bruta de capital fixo voltou a crescer (2,3%), após dois recuos consecutivos.

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 2,1% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, desde o terceiro trimestre de 2018, o consumo de serviços tem sido o principal responsável pelo crescimento deste componente (contribuição de 1,2 p.p. no segundo trimestre). O consumo de duráveis, recentemente, vem aumentando sua contribuição para a variação total do componente (contribuição de 0,6 p.p. no segundo trimestre).

Formação bruta de capital fixo

A FBCF cresceu 4,0% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. O crescimento de 8,3% de máquinas e equipamentos impulsionou este componente que estava em trajetória de queda, no início do ano. Com taxas de variações menores, os componentes de construção e de outros da FBCF também cresceram neste trimestre, tendo contribuído, conjuntamente, em 0,8 p.p. para a taxa de variação do total da FBCF.

Exportação

A exportação apresentou crescimento de 2,6% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo trimestre de 2018. Os componentes que apresentaram crescimento foram: (i) bens intermediários (12,7%), (ii) bens de consumo não duráveis (16,6%) e, produtos da extrativa mineral (8,2%). É interessante observar que, embora com desempenho positivo desde o terceiro trimestre de 2018, a exportação de produtos da extrativa mineral apresenta trajetória descendente desde o início de 2019, reflexo do desastre de Brumadinho.

Importação

A importação cresceu 4,5% no segundo trimestre, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. Apenas as importações dos bens de consumo retraíram nesta comparação (variações de -23,4%, nos duráveis; -10,5% nos semiduráveis e -8,9%) nos não duráveis. Os principais destaques positivos foram o desempenho dos bens de capital (17,8%) e dos produtos da extrativa mineral (8,2%).

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente 3 trilhões, 469 bilhões, 059 milhões de Reais no acumulado do 1º semestre do corrente ano.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 17,2%, em junho, na série a valores de 1995.

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2016, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (primeiro trimestre de 2019).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995. Uma metodologia detalhada está disponível no link: https://portalibre.fgv.br/publicacoes/estudos-e-pesquisas/metodologias/metodologia-do-monitor-do-pib-versao-preliminar-novembro-de-2015.htm

Acesse o press release

Por Portal IBRE FGV

 

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